segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Floresceu


Fazia tempo que não tinham flores no meu jardim (vovô plantara alguns anos atrás). Elas floresceram, mas eu só pude vê-las hoje. As suas cores me sorriram no nosso quintal, onde eu passara grande parte da minha doce infância. Vovô nunca gostou dos meus pés de feijão, mesmo arrancando eu tinha um amor enorme por aquele senhor. Eu nunca esqueço de quando o ajudava a apanhar as goiabas, ou ia correndo avisar que a chuva tinha parado, só pra gente secar o quintal. Faz um tempo que não o vejo, hoje eu quis chorar. Mas as suas flores me mandaram sorrir. Hoje mesmo eu estive olhando pro jardim, e achei uns frutos. Me falaram que é romã...a vovó sempre diz que dá sorte. Eu não sei medir o tamanho dessa saudade. A casa ficou deveras vazia. Eu não sei bem o que é isso, mas eu sei que queria me ver sorrindo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O claro da noite

Não diga boa noite
Diga boa sorte.
















/faztempoqueeunãodurmo

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um mósquito!


Um mósquito! Era o que ele dizia! Foi o que ele viu, na Bíblia, na página certa. O que de alguma forma a qual não sei dizer o encontrou. Ele podia jurar, se necessário fosse. Ele podia provar, se todos eles quisessem. Eu não vi o mósquito. Eu nunca vi nada nessa história de mósquito, eu só ria era do jeito errado de ele falar. Eu era mais seguidora da Santa Gramática. Ele tinha fé, e eu descobri. Eu não senti exatamente alguma coisa, eu só quis abrir o Livro e começar algo Novo. Eu só quis abrir o Livro. E escolhi a certa! Entre tantas certas, eu abri a certa, a mais certa! Ele dizia tudo. Ele não tinha defeitos, ele era pra mim e ao mesmo tempo universal, ao mesmo tempo já foi de tanta gente, como eu e diferente de mim. Eu não vi o mósquito, eu nunca vi o dono da história do mósquito, mas essa história ficou sentida e ganhou sentido essa noite. E ela é minha agora. A minha história.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O mesmo

Sem palavras que te façam ler o que sinto
O que quero que sintas
Nem o que senti todo esse tempo
Eu sei que tenho o mesmo sangue
As mesmas manias
O mesmo humor
E a mesma casa.
E esse submundo onde me encontro
é resultado de uma forte mania de solidão
e também de um exagero que insisto em me valer.
Eu sei que talvez não me entendas
mas a poesia da nossa vida toda
pode inundar esse momento.
E mesmo que não conheças (a minha) poesia
eu explicitaria minhas palavras,
A fim de trazer-te para o meu mundo, submundo
A fim de te ver  feliz.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

E agora, Drummond?

"Mundo mundo vasto mundo"
Como pode um coração ser mais vasto?
(De poeira em poeira cósmica eu me enxergo cada vez menos.)
E se meu mundo é tão grande quanto o do "Raimundo", eu lhe pergunto:

Orgulho burro

Eu,
Orgulhosamente me apresento:
Desprovida de inteligência afetiva,
Sem a menor chance de ser feliz,
Mas com uma certa dose de sorte.

Do Asteroide B612 para o mundo

O Pequeno sempre soube o que fazer.